Quetzacoatl Vivo

Sou vívido Quetzacoatl.

Surjo desnudo das profundezas

Do lugar que reconheço com Pai.

Uma grande viagem fiz desnudo,

Saí do céu, passei pelos filhos dormidos de Deus.

Do fundo do céu surjo como águia.

Das entranhas da terra, como cobra.

Tudo que se levanta agitando vida entre o céu e a terra conhece-me.

Pois sou a íntima invisível estrela.

E a estrela é uma lâmpada na mão do Jogador Desconhecido.

Além de mim há um amo terrível e maravilhoso, oculto sempre de meus olhos.

Mesmo que esteja em suas vísceras, antes de que engendrara no espaço – Mãe.

Agora, estou só na terra, mas ela é minha.

Como são minhas as raízes nesta úmida senda obscura da serpente.

E são meus os ramos, nas sendas do céu e o pássaro,

Mas a breve centelha, aquilo que eu sou, é agora mais que minha.

E os pés dos homens e as mãos das mulheres conhecem-me.

Joelhos, músculos, vísceras, e a mais íntima de suas forças incendeiam-me.

A serpente de minha mão esquerda sai da escuridão para beijar teus pés com lábios de acariciante fogo.

Põe força em teus calcanhares e tornozelos, e chama em teus joelhos,

Em tuas pernas e em tuas entranhas e o círculo de paz em teu ventre.

Porque sou Quetzoacotl, a Serpente Emplumada.

Só estarei contigo quando minha serpente haja fechado o círculo de paz em teu ventre.

Eu Quetzoacotl, águia do ar, mancho em visões o teu rosto.

Arejo teus peitos com o meu alento

E em teus ossos construo meu ninho de paz.

Sou Quetzacoatl, o do Caminho Dúbio.

D. H. Lawrence (escritor e poeta)

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