Nós somos o Vírus

 

Napaykuna!

Vivemos num mundo muito vasto, como uma grande cebola, onde cada camada é um mundo diferente, com inúmeros seres e forças desiguais operando. Em nosso mundo temos três reinos principais perceptíveis, porém existe outros reinos que a maioria de nós desconhecemos como o monera ou fungi da biologia moderna, e também o do vírus, que alguns xamãs atribuem um papel importante no desequilíbrio da raça humana pelo contato e domínio desses seres. Para muitos de nós o vírus é um inimigo sem passaporte, sem religião, sem distinção de cor, raça ou posição social e invisível parou o nosso planeta. Podendo colocar tudo a perder num estalar de dedos.

Vocês já pararam para se perguntar: E se o vírus for o anticorpo do planeta? No meu modo de ver, isso faz muito sentido nesse meu momento holístico. Gaia tentando se livrar de um patógeno, que somos nós. Existe também a hipótese desse vírus ter sido criado como arma biológica no laboratório do exército norte-americano em Fort Detrick, no estado de Maryland, nos Estados Unidos ou na cidade de Wuhan na República Popular da China. Se for isso, a teoria do anticorpo contra o patógeno perde o sentido. Mas Gaia pode ter enlouquecido alguns humanos intencionalmente, fazendo-os gostar de arminhas, incluindo as biológicas, para induzi-los a um erro autodestrutivo. Essa também é uma possibilidade.

Porém para alguns xamãs nós nos tornamos vetores de vírus e nosso comportamento é virótico e não de mamíferos, isto foi brilhantemente colocado no filme Matrix quando um agente conversando com Morpheus coloca que a espécie humana deixou o ramo mamífero, que tem a característica de entrar em harmonia com o meio onde vive, coisa que os povos nativos faziam e se aliou ao modo de ser dos vírus.

Na minha Tradição Xamânica acreditamos que todo ato que é feito na presença de nós mesmos, da qual estamos na maior parte do tempo perigosamente ausentes, tem algo de divino. É nossa conexão com um estado mais amplo de Ser no qual compartilhamos de outras realidades presentes na Eternidade. Esta liberdade perceptiva fundamental, estas propostas de crescimento e expansão rumo a outras realidades foi conhecida por muitos povos nativos, sedentários ou nômades que viveram neste Ser Mundo que hoje habitamos. Mas em certo momento grupos começaram a mudar as coisas aqui, impondo um novo modelo de mundo. Houve uma guerra entre dois modelos de civilização. Um harmônico com o meio, outro conquistador. Todas as culturas nativas da África, América, Ásia e até da Europa que tinham na harmonia com a natureza sua base, foram cruelmente atacadas e um novo sistema dominador e eco agressivo é imposto. Os vencedores, infelizmente, foram à civilização branca, cristã e euro-burguesa que se tornou um vírus na terra.

Com a vitória dos “Conquistadores” – preferimos chama-los de Invasores – surgiram a escravidão, exploração, relações simbióticas e atitudes totalmente desequilibradas começaram a ser tomadas. Para alguns xamãs, é neste momento que a humanidade deixou de fluir com sua origem mamífera e passou a se identificar com outro ser consciente deste mundo, os vírus. A harmonia com o meio abandonada e a plena exploração das reservas dos hospedeiros, mesmo esgotando-o até a morte. É todo um complexo estado de coisas que levou este mundo no qual estamos. A relação simbiótica entre estes dois mundos, com seus distintos modos de pensar e lidar com a realidade, poderá resultar no surgir de uma síntese criativa que nos possibilitará a resolver de forma criativa as graves questões que nos esperam nestas próximas décadas, onde a superpopulação do mundo pode levar os que tem armas para objetivar seus delírios de donos do poder, a tomar atitudes drásticas, cruéis para resolver este problema. A sabedoria dos povos nativos, dos que ainda guardam suas tradições podem auxiliar num redimensionar de nossa abordagem da realidade. Por isto acreditamos que hoje os movimentos neopagãos prestam um serviço importante a esta necessidade: Trazer a tona as antigas tradições, beber em fontes de sabedoria nativa, em suas diversas formas.

O Caminho Xamânico nos ensina que nossos Aliados de Poder fazem parte de nossa condição humana mágica, não da cotidiana. Nosso Aliado de Poder está ligado a nossa energia. Os efeitos de receber sua energia são fantásticos. Quando entramos em total sintonia com nosso Aliado de Poder podemos percorrer os mundos e em fase mais avançada este mundo mesmo. Aprendi com meus mentores que esta área é interessante para aprender no começo, mas que depois é melhor se afastar dela, pois é um terreno perigoso e está impregnado pelo espírito de praticantes da arte que pararam no meio do caminho. Eu pude comprovar isso pessoalmente, pois muitos que praticam esta arte ainda estão presos em disputas de poder bem limitadas e passam a te perseguir, no astral e aqui, acreditando que você tem os mesmos valores do que os deles.

Certa feita, minha mentora disse que quando viajamos xamanisticamente a outros mundos podemos ser lá o equivalente a baratas ou pernilongos para os seres daquele mundo. Depois dessa comparação passei a ver com outros olhos esses seres e nunca mais matei conscientemente esses insetos.

A maioria de nós, vemos o vírus como um inimigo invisível, entretanto no Universo Xamânico ele pode ser um aliado espiritual que lida principalmente com o aspecto sombrio do nosso eu. No entanto, existem qualidades redentoras em todas as criaturas, e esse organismo não está isento nessa categoria. Como falamos no início deste artigo, ele pertence ao reino Virótico e por ser um Ser vivo, ele também pode ser um Aliado de Poder. Ele nos alerta que algumas coisas em nossas vidas estão ficando fora de controle. E quando é hora de deixar de lado nossas percepções preconcebidas das coisas e permitir que novas coisas tomem seu lugar. Avisa também que não podemos mais adiar nossa jornada de cura. Além disso, devemos encontrar a força interior para intensificar e enfrentar nossos medos e resolver problemas purulentos. Muitas vezes, é o medo que está tornando as coisas mais significativas do que elas realmente são. Existem muitas maneiras e muitos caminhos, devemos encontrar um que funcione para cada um de nós individualmente.

Para finalizar, o vírus vem nos alertar de que nosso planeta está condenado, mas não fazemos nada a respeito – afinal como falamos anteriormente, a própria humanidade é o vírus de Gaia. O vírus reflete o pensamento consciente coletivo de que temos direito a tudo neste mundo sem equilibrar os requisitos deste planeta. No entanto, nossa alma sabe que isso não está de acordo com nosso espírito. Portanto, o vírus nos obriga a mudar a chave do egoísmo para o altruísmo. Também requer uma experiência de quase morte para impor a mudança, tal como um rito iniciático xamânico. E nos traz de volta a esperança para aqueles que se importam o suficiente para procurar interiormente a sua cura.

Munay,

Wagner Frota

 

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