Roda Sagrada

A Roda Sagrada

Uma das chaves da sabedoria de muitas culturas xamânicas é o conceito da Roda Sagrada, conhecido também pelo xamanismo como Círculo da Vida. Da mesma maneira que há muitas culturas diferentes que respeitam a Roda Sagrada, assim também há muitos símbolos associados com ela, a Mandala Tibetana, a Roda Medicinal, o Pentagrama, a Cruz Céltica, a Roda do Sol, o Sol Espiral e muitos mais. Estes símbolos procuram trazer iluminação para aqueles que meditam e se conectam com eles.

É claro que todos nós conhecemos o ciclo básico da vida: nascimento, crescimento, morte, renascimento. Mas o ciclo da vida é mas que um ciclo, é uma roda, um Círculo que acontece em nossas vidas. Muitas rodas menores acontecem todos os dias em nossas vidas, embora nós não a percebemos freqüentemente. Você alguma vez sentiu emoções passadas ou uma dor passada surgir em seu presente? Sentiu alguma sombra da sua mocidade assombrando-o? Esta é uma roda xamânica que sempre gira. Se você não lidar completamente com as situações do passado, eventualmente elas retornarão. Muitos de nós experimentamos isto, especialmente se nos sentimos impossibilitado de lidar com assuntos de nossa infância, abuso, negligência, e assim por diante. Infelizmente, estes assuntos passados sempre retornam, e continuará sempre retornando até nós resolvermos finalmente enfrentá-lo completamente. É até pior para aqueles que se agarram ao passado. Se você tenta parar um ponto qualquer da roda, você sentirá o resultado em sua vida. Você pode simbolizar isto como um órbita da terra. Digamos que a Terra parasse de rodar em qualquer ponto de sua trajetória, a gravidade puxaria o sol e isto destruiria a terra e todos os habitantes dela, toda uma esperança e sonhos. O mesmo ocorre, quando uma pessoa agarra-se a um ponto na roda, a pessoa cai em depressão profunda. Caso isso ocorra com você, aproxime-se da natureza e observe como ela sempre está mudando. Ela é uma roda e ainda está girando e você ainda está naquela roda. Enquanto a roda continuar girando, sempre haverá esperança. Procure encontrar o seu lugar na roda e deixe-a sempre girar.

Nenhuma pessoa no mundo, consegue lidar com seus assuntos do passado se não buscar ajuda, juntando a um grupo de apoio, a um psicólogo, terapeuta, e assim por diante. Não olhe para estas coisas negativamente; é necessária muita coragem para admitir que você precisa de ajuda. Existe um modo mais simples para lidar com uma situação dessa, falar abertamente com um amigo que você pode confiar e poder falar honestamente à pessoa, ou se permitindo simplesmente aprender com sua experiência. Não esqueça, faça o que você precisa fazer.

A muitas técnicas de cura xamânicas para resolver esses assuntos, incluindo a jornada xamânica, dialogando com a criança interna, recriando um jogo com as pessoas do passado, resgate de alma, terapia da linha do tempo e, muitas outras técnicas. Muitas destas técnicas são usadas na psicologia. Se você está interessado, há muitos livros publicados sobre o assunto. Você poderia tentar procurá-los nas livrarias metafísicas ou visitando a seção de psicologia e auto-ajuda em livrarias locais. Pessoalmente, acredito que o melhor modo para curar esses assuntos completamente, é o resgate de alma, uma técnica xamânica que deve ser conduzida por um Xamã experiente. Eu fui curado através do resgate de alma por uma Xamã, e a minha vida tomou outro rumo, auxiliando-me a encontrar o meu lugar na Roda Sagrada.

Um xamã solitário encontra-se descalço numa colina, na escuridão da noite, olhando as luzes brilhando na cidade. A brisa acaricia gentilmente seus cabelos e ele escuta a voz suave dela. Ele sente a batida do coração da terra embaixo de seus pés. Tudo aquilo que existe é a batida do coração. Ele sente o poder da terra e pede essa energia, para lhe dar a coragem para escutar o coração dela e entrar em equilíbrio com todas as coisas.

Às vezes, quando eu olho as várias tradições xamânicas, eu sou surpreendido com semelhanças que há entre elas. Elas emergiram em continentes diferentes, e assim evoluiram diferentemente, mas na essência delas, elas são as mesmas. A saudação as direções é uma técnica ritual que eu vi e aprendi em meus estudos com os Nativos Americanos e o xamanismo europeu. A saudação a cada direção, é comum nessas tradições xamânicas. Embora haja uma variação de elemento associado a cada direção, eu ainda fico impressionado como esta técnica é tão comum entre pessoas que evoluíram em continentes distantes. Coincidências como estas indicam que há uma grande harmonia universal de todos os povos. Eu acredito que nós somos parte do todo, e esta é um das coisas que me conduziram a entender e respeitar outras culturas, até mesmo se eu não concordo com os modos de vida delas. Para mim, eu sinto que praticando os rituais universais de nossos antepassados, passamos a perceber a nossa conexão com todas as pessoas e, ver que afinal de contas nós não somos muito diferentes.

A saudação as direções foi usada durante séculos para ajudar a manter-mos conexão com a terra, proteção no ritual a ser realizado, e aumentar nosso poder pessoal. Esta técnica é baseada no mito dos quatro elementos: terra, ar, fogo e água. Chamando estes elementos, nós vemos a relação entre estes elementos universais e nossas próprias vidas. Talvez o melhor modo para explicar isto é mostrar como é realizado. A explicação seguinte é uma saudação básica das direções que eu vivenciei com as tradições Nativas Americana. Por favor note que essa tradição é diferente de outras, mas, elas diferem especialmente na associação de cada elemento para cada direção. Esta versão também não usa nenhum instrumento externo, como ervas ou ferramentas mágicas para realizar a conexão pessoal que todos nós compartilhamos profundamente dentro de nós mesmos. Se você deseja, você pode oferecer ervas e fumaça do cachimbo às quatro direções, mostrando assim respeito por esta conexão a cada direção.

Em todas as cerimônias e rituais realizados dentro da Roda Sagrada dos Nativos Americanos, começa-se saudando e invocando as quatro direções. As direções são associadas a cada estação do ano e a um elemento. Cada direção tem um Guardião Espiritual que corresponde a um clã e, tem aliados no reino animal, mineral e vegetal.

Os Guardiões Espirituais trazem os ventos correspondentes a cada direção para a terra. Wabun é o mensageiro da alvorada que traz o vento morno da primavera do leste. Shawnodese traz do Sul o vento quente do verão. Mudjekeewis traz do Oeste o vento fresco do outono. Waboose é o detentor do mistério dos conhecimentos antigos e traz o vento frio do Norte.

Todas direções apontam para um caminho. A direção leste indica o caminho do visionário, o poder da luz, o portal para busca da iluminação. A direção sul indica o caminho da cura da criança interior promovendo o crescimento, o poder da confiança e do amor, o portal para as emoções. A direção oeste indica o caminho da cura física, o poder da transformação e introspecção, o portal para o corpo. A direção norte indica o caminho do guerreiro, o poder do conhecimento e da sabedoria, o portal para a mente, purificando a terra e obrigando os homens a isolar-se para a renovação.

Meditando com as 4 direções

Começamos virando para o Leste – Invocamos a Wabun, o leste é o centro de iluminação onde habita a águia, que voa mais alto e tem uma visão aguçada. É representado pela cor amarela que representa, o nascer do sol, a primavera, o nascimento, um novo início, a iluminação. O leste é onde o Avô Sol nos sauda a cada manhã. Seu elemento é o Fogo, procure conectar-se com ele, pedindo clareza para enxergar uma situação, clarear um relacionamento, definir um novo projeto de vida, e fortalecer a sua autoconfiança.

Olhando para o Sul, invocamos Shawnodese, o sul é onde mora a criança interior e também representa o lugar onde começa a vida física. É representado pela cor vermelha que representa a culminância do Sol, o meio-dia, o verão, o crescimento, o vigor físico, a inocência e o frescor da infância, os sentimentos, a alegria, a paixão. Os animais sagrados são: o camundongo (que vê as coisas de perto e sente tudo pelo toque), o coiote (o trapaceiro, usando as armadilhas das emoções para ensinar) e o sapo (purificação). Seu elemento é a Água, procure entrar em contato com ela ouvindo uma fita de tambor com o ritmo do coração, perto de um lago ou num campo aberto e verde. Perceba suas emoções, identifique as feridas, conecte-se com sua criança interior. Reavalie os seus comportamentos, considerando como evitar cair em novas armadilhas, mas sem perder a confiança em si e no mundo.

No Oeste, invocamos Mudjekeewis, o oeste é morada do Urso dentro da Roda Sagrada. É representado pela cor preta que representa o por do Sol, o outono, o silêncio, o repouso, a introspecção e contemplação, a oração para conseguir a cura e transformação, os desafios da idade adulta, o contato com os espíritos ancestrais, a força e a regeneração através da Mãe Terra. A Terra é o seu elemento, procure conectar-se com ela caminhando pelo bosque com os pés descalços ao cair da tarde.

Virando para o Norte, suplicamos a Waboose a sabedoria do norte, que é o local sagrado dos ancestrais. É representada pela cor branca, que representa o branco da neve no inverno, o silêncio das montanhas, as sabedorias dos anciões, a capacidade de aprender através das experiências, a busca de novos conhecimentos, abertura de novos horizontes, libertando-se dos padrões mentais dogmáticos ou ultrapassados, aprendendo a pensar, analisar, sintentizar, compreender, organizar e lembrar. Os animais sagrados são o búfalo (representando a abundância), a coruja (a sabedoria) e a borboleta (renascimento). Seu elemento é o Ar, que nos ajuda a descobrir a sabedoria dos longínquos antepassados e a estabelecer um elo de ligação com o divino. Procure sentir o ar, imaginando-se no alto de uma montanha com ventos fortes e nuvens correndo ao seu lado, não esqueça de agradecer aos antepassados através de oração, pelo legado de conhecimento que eles deixaram para nós, os seus descendentes.

Volte-se novamente para o Leste. Você completou o círculo da Roda Sagrada. Aonde você se encontra agora, você tem a habilidade para escolher e tomar decisões dentro de sua própria vida. Você é merecedor, porque você é uma criança do universo, como todas as coisas. Olhe para baixo em direção a Mãe Terra e a chame para ajudar você a entrar em equilíbrio e harmonia com todas as coisas. Agora olhe para o Pai Céu e o chame para guiá-lo e o ajudar nesta conexão. Agora honre a direção de dentro, onde mora seu coração. Escute seu coração. Ele o guiará no seu caminho, se você escolher escutá-lo.

A partir deste ponto, você pode escolher meditar em alguma direção, dançar seus animais para achar seu poder pessoal ou reconhecer uma necessidade a ser cumprida. Este é um ponto perfeito para realizar um ritual ou uma cerimônia. No centro do círculo, todas as coisas são possíveis; nós só estamos limitados pelas limitações que nós colocamos na nossa vida.

Ao término de seu trabalho, chame as direções, no sentido anti-horário, honre-as por tudo que lhe foi dado para ajuda-lo a devolver a consciência normal. Lembre-se das lições que você aprendeu dentro da Roda Sagrada, porque elas também são verdadeiras fora da Roda, entretanto às vezes é difícil perceber isto. Você sempre está conectado com todas as coisas na Roda Sagrada. Como Águia do Coração Leve, meu mestre que me iniciou no xamanismo, disse: “A Roda Sagrada está aberta, contudo nunca quebrada. Ho!”

Cada Momento é Sagrado

Viver cada momento como sagrado, é reconhecer que todas as coisas são interligadas numa grande Teia Cósmica. Quando nós olhamos nossas relações com as pessoas e coisas com que interagimos diariamente, nós vemos como nós estamos afetando outras pessoas, nosso ambiente, e nossas próprias vidas. Nós há pouco vimos como é importante a nossa própria vida. Quando nós podemos ver isto, nós vemos que nós somos merecedores de receber coisas boas e, viver uma vida feliz. É por isto que nós temos que começar a cura por nós mesmos. Tendo consciência disso, poderemos sentir a energia e o poder fluindo dentro de nós.

Quando nós nos curamos e criamos a realidade que nós queremos viver, nós estamos mais contentes e compartilhamos nossa felicidade com os outros, através de um sorriso, uma conversa ou um ato gentil. Agindo assim, nós ajudamos a iluminar os outros, e eles passam isto para outros. Se esta energia é forte, pode fluir por muitas pessoas. É igual a teoria do caos: uma mudança minuciosa pode ter um efeito enorme no final das contas. No nosso caso, como xamãs, visamos restabelecer a harmonia total de cada ser, curando a alma fragmentada, para que haja uma maior conexão e equilíbrio de tudo e de todos.

Pense em todas as pessoas que você afeta por suas palavras e ações. Você quer seu mundo seja cheio de felicidade, paz e alegria? Então aprenda aceitar estas coisas em sua vida, no momento presente. Se você sente que elas voltaram agora mesmo, de muito longe para você, então simplesmente escolha estar disposto a permitir isto em sua vida. Simplesmente estando disposto a tentar estar contente, pode ter um efeito profundo em sua atitude que em troca afetará todos que interagem com você. Isto devolverá a você, o equilíbrio do seu ser, fazendo que a paz, a harmonia e a alegria estejam cada vez mais presente em sua vida. É como uma espiral que continua girando e crescendo, mas só se você permitir isto.

Deixe que seus medos e preocupações desapareçam. Viva completamente, agora mesmo – Carpe Diem; o aqui e o agora é o ponto no qual o poder do xamã existe. É o único ponto do qual você pode fazer escolhas e pode mudar seu mundo. Encontre seu lugar na roda, e não esqueça que a nossa meta, na jornada da Roda da Medicina, é despertar e abranger o divino que há dentro de cada um de nós e, com isso, restabelecer nossa conexão com a natureza e com o mistério do cosmo, adquirindo capacidade e sabedoria para utilizá-los.

Porque trilhar o Caminho do Xamanismo

Gritos de mulher enchem à noite, mas ninguém corre para salvá-la. Os homens a amarram a um poste de madeira e ateiam fogo, as chamas a envolve. Os homens chamam ela de bruxa, é mais provável, que ela simplesmente seja vítima inocente de uma cultura presa no medo e ignorância; eles destroem o que eles não podem entender. Em outro lugar, o tórax de um homem está sendo imprensado por uma pedra grande fixada a uma máquina de tortura. E ao redor dele estão os seus executores, obrigando a confessar. Se ele se recusa, os executores apertam cada vez mais o tórax dele, até que se desmorona. Se ele confessa, ele será queimado na estaca. Ele morre de qualquer modo…

A estrada é longa e seca. Há pouca água. Todos nós viajamos em filas longas, rumo ao lugar que os brancos dizem estar nossas novas casas. À frente, uma mulher velha hesita e cai. Alguns do meu povo tentam ajudar, mas não há nada que eles possam fazer. Ela está cansada, faminta e sedenta, mas não há nenhuma comida nessa caravana. Fomos forçados pelos homens brancos a deixar nossas cabanas e partir rumo ao oeste com as nossas famílias, para uma cidade chamada reserva. Muitos morreram nesta estrada longa. Muitos mais morrerão antes que esta jornada termine…

Tão frio. Nós estamos todos juntos, estamos presos, e imóveis. As tábuas do navio são tão duras e úmidas. Mas o pior é o cheiro que nós somos forçados a sentir do nosso próprio excremento. Tão frio. Eu me lembro quando eles vieram nos levar embora, como eles nos capturaram e nos trataram como animais. Para eles, nós éramos menos que humano, simplesmente porque eles não nos entenderam. Minha família, eles levaram todos, até mesmo minhas crianças, sacrificaram….

Eu às vezes desejo saber por que é que aquelas culturas xamânicas foram tão perseguidas no passado. Que tipo de medo ou ódio ou ignorância poderia fazer as pessoas a tratarem os outros como animais? Muitos de nossos antepassados foram sacrificados. E para que isso? Para servir de escravos, numa terra que nem eram deles? Para meras possessões ou arrogância insignificante? Muitos de nós esquecemos de nossos antepassados, esquecemos de onde nós viemos. Nós não só perdemos nossas terras e casas, mas também a nossa herança.

Esta é uma das razões porque eu decidi incluir o pentagrama e a suástica (roda do sol) como símbolos xamânicos, representando a Roda Sagrada. Estes dois símbolos (e muitos outros, no que diz respeito ao assunto) foi roubado por esses mesmos homens cegos e cheio de ganância.

O pentagrama, originalmente é relacionado aos cinco elementos sagrados: terra, fogo, água e água, como também o espírito, que é a fonte deles. Era um símbolo de proteção às pessoas de tradições pagãs ancestrais e representou o elemento da terra, de paz, equilíbrio e sabedoria interna. O pentagrama também era usado pelos chineses para representar a variação dos cinco elementos e mostrar o caminho de ch’i ou energia da força da vida. Acima de tudo, representava os seres humanos em equilíbrio e harmonia com natureza.

A suástica era um símbolo sagrado para ao Nativos Americanos e o vitki escandinavo (letra rúnica). Este símbolo é o cruzamento de duas letras rúnicas de sowelu, e significa o sol. Como tal, era a roda sagrada do sol. Hitler, em uma tentativa arrebatar mais alemães para o lado dele, adotou o símbolo para representar a festa de nazi dele. Ele abusou da suástica usando isto como um símbolo do patriarca supremo (ele), onde as mulheres se tornaram meras criadoras para mais guerreiros arianos.

Para mim, estes símbolos representam mais um pedaço que foi levado dos povos xamânicos, e deturpá-los é deturpar uma parte de nossa herança, e uma parte de nós mesmos. Os rituais e símbolos são a nossa herança. Eles dão significados aos eventos que ocorrem em nossas vidas. Ao mesmo tempo, eu reconheço que todas as coisas que foram feitas a nossos antepassados, são águas passadas. Não podemos deixar de esquecer de que somos todos irmãos, nascidos da mesma fonte criadora, e dependente da Mãe Terra para a nossa sobrevivência.

Admito, que ainda hoje, há muitas pessoas preconceituosas para com os outros. Talvez isto é porque eles tiveram experiências ruins quando crianças ou talvez os pais deles os elevaram acima de tudo e de todos. Para estas pessoas que escolheram não compreender o outro, eu sinto que posso ajudá-los. Eu não posso força-los a compreender. Percebo que eles estão no mesmo caminho de aprendizagem, que eu estou, e escolho não me associar a eles, para lhes dar o tempo que eles precisam para aprender. Apesar de todo sofrimento que as tradições xamânicas passaram, os xamãs estão certos de seu lugar sobre a terra, mantendo a integridade como uma tribo diante das mudanças que ocorreram e estão ocorrendo.

Eu também reconheço que quase todas culturas foram abusadas em algum ponto da história. Todos nós temos antepassados que sofreram esses abusos. Talvez esta seja uma coisa que nos mantêm conectados. Todos nós sofremos, agora é tempo de nos curar-mos. Nós temos que reconhecer que nós não somos raças diferentes, nós somos todos uma só raça. Afinal de contas, todos nós somos descendentes de povos nativos, todos nós. Nós somos pessoas de uma tribo só. E se há alguma esperança para a sobrevivência terrena, essa está na nossa consciência, onde devemos aprender a entender um ao outro e viver em harmonia com nossa Mãe Terra.

É por todas essas razões que eu trilho o Caminho do Xamanismo. Não como uma religião, que ele não é, e sim como uma prática profundamente pessoal, sem dogmas e linhas rígidas. O que difere esse caminho de uma religião, é que o Xamanismo é algo para ser vivido, e a religião é algo para se acreditar. Enquanto a primeira leva a ação, a segunda leva a submissão. Ao contrário das igrejas e seus mensageiros, que acreditam que Deus criou os animais, vegetais e tudo o que há sobre a terra para servir ao homem. Os Xamãs acreditam que nós é que fomos criados para servir à terra e cuidar dela. Os seminaristas ingressam num templo, para submeter-se a um dogma pre-existente. Passam a compreendê-lo, mantê-lo e ensiná-lo quando tornam-se sacerdotes. Sua experiência religiosa é uma experiência baseada na fé, e não na comunhão direta. A comunhão deles está ligada a tradição, e raras vezes a experiência. Aceitam a fé, suas normas e seus erros. Eles cuidam dos mitos. O Xamã, por sua vez é o criador do mito, e a origem da sua fé reside em sua própria experiência com o Divino na natureza.

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